Rosana Blogueira

sábado, 3 de junho de 2017



Olá, amigos, vejam a mega oferta de um dos meus livros no formato Ebook "O Rio de Janeiro a Dezembro", um guia poético para se divertir na cidade maravilhosa gastando pouco, na amazon.com.br na semana de 04 a 08 de junho , por $4,99!










quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

LANÇAMENTO DOS MEUS LIVROS















Oi, amigos!

Venho participar a vocês, com muita alegria que, depois de um período "hibernada", finalizei os outros volumes da coleção "Viagens além do Ego" lançados nas versões impressa e em eBooks, disponíveis para leitura das primeiras páginas e também para vendas em:

https://www.clubedeautores.com.br/

https://www.amazon.com.br


Graças ao apoio, o carinho e o incentivo de todos vocês, vi meu projeto sendo desengavetado e tomando proporções muito além do que eu imaginava.

Um deles, o Volume II - Crônicas da minha terra,  traz alguns registros de pessoas queridas, de uma época muito especial para mim, em Cosmópolis, e  foi inspirado em lindas coisas vivenciadas com muitos de vocês, da minha cidade querida. Esse, mais à frente, terá um outro volume, pois há muito  para contar e recordar, em registros muito legais.

Todos os quatro volumes, inclusive o de Poesias, traz sentimentos/sensações comuns a todos, com os quais vocês poderão se identificar.

Peço, se possível,que curtam a página para uma maior visibilidade; parte dos direitos autorais irão para entidades beneficentes.

Enfim, desejo a vocês um lindo Natal, cheinho de boas vibrações e, mais uma vez, agradeço a todos vocês!
Com carinho e gratidão...
Beijos a todos

UM AGRADECIMENTO ESPECIAL À MINHA QUERIDA E INSPIRADORA PROFESSORA Graça Caldas! Obrigadaaaaaaa por tudoooo!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

PUBLICAÇÃO DO LIVRO VIAGENS ALÉM DO EGO-POESIAS


Queridos amigos, venho aqui agradecer as mensagens de apoio, de incentivo e de carinho de vocês neste momento tão especial para mim, em que lanço o primeiro volume da coleção Viagens além do ego - Poesias, que antecede os volumes de Crônicas e afins a serem publicados nos próximos meses.
O primeiro volume ilustra mais a minha percepção sobre a temática do amor.
Os outros volumes revelam momentos e algumas histórias que me remetem a Cosmópolis, fonte de inspiração maior.
Por enquanto, o livro de Poesias está disponível para venda no site do Clube de Autores, na versão impressa; e a versão e-book Kindle, no site da Amazon.
Mais à frente, lançarei as datas de possíveis eventos relacionados às     publicações.
Obrigada pelas palavras, por vocês estarem juntos comigo nesta nova etapa!
Agradecimento especial também à queridíssima e inspiradora Professora Doutora Graça Caldas que me impulsionou a fazer do sonho uma realidade!
Um lindo dia a todos!
Toda a arrecadação com a venda do primeiro volume será destinada ao Centro Boldrini, em Campinas.
https://www.clubedeautores.com.br
https://www.amazon.com.br




PUBLICAÇÃO DO LIVRO VIAGENS ALÉM DO EGO-POESIAS


Queridos amigos, venho aqui agradecer as mensagens de apoio, de incentivo e de carinho de vocês neste momento tão especial para mim, em que lanço o primeiro volume da coleção Viagens além do ego - Poesias, que antecede os volumes de Crônicas e afins a serem publicados nos próximos meses.
O primeiro volume ilustra mais a minha percepção sobre a temática do amor.
Os outros volumes revelam momentos e algumas histórias que me remetem a Cosmópolis, fonte de inspiração maior.
Por enquanto, o livro de Poesias está disponível para venda no site do Clube de Autores, na versão impressa; e a versão e-book Kindle, no site da Amazon.
Mais à frente, lançarei as datas de possíveis eventos relacionados às     publicações.
Obrigada pelas palavras, por vocês estarem juntos comigo nesta nova etapa!
Agradecimento especial também à queridíssima e inspiradora Professora Doutora Graça Caldas que me impulsionou a fazer do sonho uma realidade!
Um lindo dia a todos!
Toda a arrecadação com a venda do primeiro volume será destinada ao Centro Boldrini, em Campinas.






Para visualizar as primeiras páginas do livro:

https://www.clubedeautores.com.br/book/220723--VIAGENS_ALEM_DO_EGO#.WB1ErNIrJ0w

domingo, 21 de agosto de 2016

MI QUERIDO DIEGUITO

Incorporando Frida, inspirada por ela, em versos trôpegos

"Mi Querido Dieguito"

Hoje venho lhe dizer
Com palavras vãs
Que sua ausência tomou conta de mim.
Deixo o silêncio falar
Resvalo em seus olhos
Ouço sua voz
Sua risada.
Não tem vc e eu
Hoje
Na madrugada
No primeiro raio de sol
E de luar.

As estrelas
Os planetas
As constelações
Urgem
Do Alto
Um entendimento Maior.

Mi querido Dieguito, vc não entende
Essa minha necessidade de respirar
Suas palavras
Minha pressa de sentir
E de viver
Você.

Essa abismal distância
Que nos separa
Traz
Vc tão dentro de mim
Vc tão fora de mim.

Hoje
Emergencialmente
Na contramão
Eu queria atirar uma pedra na sua janela
Mas sei que nem barulho ela provocaria
E você não poderia despertar.
Sigo  sabendo de mim nas perguntas que
Khalo.
Me  despeço de Netuno
Dou boas-vindas a Urano.
E te espero.
E te espero.
Sempieternamente,
Besos
De "su Frida"
que hoy viaja en ti, pero sin ti
para todas las galaxias.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

PREAMAR


Imagem: Google - O nascimento de Vênus 
  
Com Vênus em  Capricórnio
E a Lua em Sagitário
A amadora segue
Em passos trôpegos
Driblando sensações que tiram o ar
Mergulhando em vibrações que fazem levitar
Represando o que vem de baixo
Abrindo as comportas para o que vem de cima.

Na geografia do corpo
Na astrofísica do amor
Entre o amaro do silêncio
E a leveza do sentimento
Segue “(in)sam”.

Ente águas turvas e cristalinas
Precipício e paraíso
Em meio ao vento Sul
Em ondas revoltas
O amor insiste.
(...)
Amar o amor é sina do poeta
Que segue
Amorando
Amorado
Na preamar. 


Praia da Ferrugem, Garopaba-SC

domingo, 7 de agosto de 2016

SÓ POR HOJE!



Imagem: 
http://umagarotaeseujeans.blogspot.com.br/2014/10/um-ceu-cheio-de-estrelas.html

Só por hoje, preciso ter por perto alguém...
Que não me entenda através das palavras, mas dos olhares
Que não me pregue verdades, apenas me reverencie com o nonsense
Que não fale de amor, mas de estrelas
Que não tenha nenhuma ideologia, apenas coragem
Que não fale bonito, mas sussurre
Que não questione, apenas entoe melodias ao luar
Que não fale de crenças, mas de poesia
Que não use a primeira pessoa do singular, apenas a primeira do plural
Que não fume, mas que possa me tragar
Que não use tarja preta, apenas florais de Bach
Que não dirija , apenas saiba me conduzir
Que não fale sobre a miséria humana , mas saiba dançar
Que não me aplauda, apenas me faça um cafuné
Que não durma ao meu lado, mas me faça sonhar acordada
Que não viaje em teorias, apenas mas me faça flutuar com atitudes
Que não seja ambicioso, mas saiba celebrar a vida
Que não beba, apenas me deixe entorpecer com a sua presença
Que não tenha barriga proeminente, mas tenha braços e pernas fortes
Que não tente me corromper, apenas me deixe subvertê-lo no silêncio da madrugada
Só por hoje quero alguém...
que saia da mesmice
que fuja de clichês
que não fale de si mesmo
que não tenha o ego inflado ou adoecido
que não tenha pena de si mesmo
que tenha sabedoria o suficiente pra entender
que tudo é efêmero
que ser feliz é o que nos resta
é o que nos basta...

só por hoje!






sábado, 16 de abril de 2016

A partir de segunda-feira...

A partir de segunda-feira (18), o Brasil não terá mais governo. Na democracia, o que diferencia um governo do mero exercício da força é o respeito a uma espécie de pacto tácito no qual setores antagônicos da população aceitam encaminhar seus antagonismos e dissensos para uma esfera política. Esta esfera política compromete todos, entre outras coisas, a aceitar o fato mínimo de que governos eleitos em eleições livres não serão derrubados por nada parecido a golpes de Estado.

É claro que há vários que dirão que o impeachment atual não é golpe, já que é saída constitucional. Nada mais previsível que golpe não ser chamado de golpe em um país no qual ditadura não é chamada de ditadura e violência não é chamada de violência. No entanto, um impeachment sem crime, até segunda ordem, não está na Constituição. Um impeachment no qual o "crime" imputado à presidenta é uma prática corrente de manobra fiscal feita por todos os governantes sem maiores consequências, sejam presidentes ou governadores, é golpe. Um impeachment cujo processo é comandado por um réu que toda a população entende ser um "delinquente" (como disse o procurador-geral da República) lutando para sobreviver à sua própria cassação é golpe. Um impeachment tramado por um vice-presidente que cometeu as mesmas práticas que levaram ao afastamento da presidenta não é apenas golpe, mas golpe tosco e primário.

Temer agora quer se apresentar como líder de um governo de "salvação nacional". Ele deveria começar por responder quem irá salvar o povo brasileiro dos seus "salvadores". Seu partido, uma verdadeira associação de oligarquias locais corruptas, é o maior responsável pela miséria política da Nova República, envolvendo-se até o pescoço nos piores casos de corrupção destes últimos anos, obrigando o país a paralisar todo avanço institucional que pudesse representar riscos aos seus interesses locais. Partido formado por "salvadores" do porte de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, José Sarney, Sérgio Cabral e, principalmente, o próprio Temer. Pois nunca na história da República brasileira houve um vice-presidente que conspirasse de maneira tão aberta e cínica para derrubar o próprio presidente que o elegeu. Em qualquer país do mundo, um político que tivesse "vazado" o discurso no qual evidencia seu papel de chefe de conspiração seria execrado publicamente como uma figura acostumada à lógica das sombras. No Brasil de canais de televisão de longo histórico golpista, ele é elevado à condição de grande enxadrista do poder.

Mas não havia outra chance para tal associação de oligarcas conspiradores. Afinal, eles sabem muito bem que nunca chegariam ao poder pela via das eleições. Esta Folha publicou pesquisas no último domingo que demonstravam como, se a eleição fosse hoje, Lula, apesar de tudo o que ocorreu nos últimos meses, estaria à frente em vários cenários, Marina em outros. O eixo central da oposição golpista, a saber, o PSDB, não estaria sequer no segundo turno. Temer, que deveria também ser objeto de impeachment para 58% da população, oscilaria entre fantásticos 1% e 2%. Estes senhores, que serão encaminhados ao poder a partir de segunda-feira, têm medo de eleições pois perderam todas desde o início do século. Há de se perguntar, caso fiquem no poder, o que farão quando perceberem que poderão perder também as eleições de 2018.

Os que querem comandar o país a partir de segunda-feira aproveitam-se do fato de o país estar em uma divisão sem volta. Eles governarão jogando uma parte da população contra a outra para que todos esqueçamos que, na verdade, são eles a própria casta política corrompida contra a qual todos lutamos. Diante da crise de um governo Dilma moribundo, outras saídas, como eleições gerais, eram possíveis. Elas poderiam reconstituir um pacto mínimo de encaminhamento de antagonismos. Mas apelar ao poder instituinte não passa pela cabeça de quem sempre sonhou em alcançar o poder por usurpação.


Diante da nova realidade que se anuncia, só resta insistir que simplesmente não há mais pacto no interior da sociedade brasileira e que nada nos obriga à submissão a um governo ilegítimo. Nosso caminho é a insubmissão a este falso governo, até que ele caia. Este governo deve cair e todos os que realmente se indignam com a corrupção e o desmando devem lutar sem trégua, a partir de segunda-feira, para que o governo caia e para que o poder volte às mãos da população brasileira. Àqueles que estranham que um professor de universidade pública pregue a insubmissão, que fiquem com as palavras de Condorcet: "A verdadeira educação faz cidadãos indóceis e difíceis de governar". Chega de farsa.


sábado, 2 de abril de 2016

PEDRA FILOSOFAL



Hoje
A moça-caixa do supermercado
Torceu o nariz para o gorgonzola
Resmungando com cara de asco frase do tipo “como pode alguém gostar disso?”
Então, fiz semblante de "paisagem" como se eu  não soubesse que a mim ela se referia.
Enquanto ela insistia na  murmuração , inconformada, teorizando sobre  o mau-paladar  alheio
Eu via pessoas - na fila - blasfemando sobre o trabalho que as sustenta
Outras desesperadas procurando – fora dali - em asfalto incandescente
Por um trabalho que da fome as afugente.

Hoje
Deparei-me com pessoas bem-sucedidas
Insatisfeitas
Desejando muito mais do que já têm...
Uma mulher sentou-se ao meu lado e pregou a Palavra
Enquanto apontava os erros do seu próximo carregada de rancor.
E eu olhava para as nuvens visualizando símbolos da paz...
Vi pessoas  protagonizando a estupidez humana
E também os náufragos do amor.
Presenciei
Choros contidos
Em grilhões de  tristeza profunda.
E eu deixei minhas  lágrimas  secarem ao sol.

Hoje
Vi pessoas pregando seus dogmas
Donas da  suas verdades incontestáveis.
E eu sentia o sol queimando minha pele, incendiário...
Em instante seco
O dia se fez noite
A chuva veio
Arrastou
Meus pensamentos e meus chinelos
Cortou
Minha fala – um entrevero -  com o Mestre
Sobre as pedras no caminho
Em águas violentas
Em lama humana
Em palavras sombrias
De seres funestos.

De repente: a resposta!
Veio-me  a boa-nova se apresentar
Como sonho meu  materializado
E o que parecia  surreal, tornou-se real!
Então, naquele momento
Olhei para o Alto
Vi um imenso arco-íris rasgar o firmamento
O céu  se abrir no entardecer, entre flocos de algodão
E a noite cair em céu ofuscante de estrelas.
No lusco-fusco
Vislumbrei três delas - as mais brilhantes
Que me remeteram a pessoas queridas.

Fora o "dia da mentira"
Mas sucedeu a verdade compreensível.
Veio O Altíssimo me sorrir
Abraçou-me
Acenou-me que
A vida é um cisco
Não é pra ser entendida
Apenas deve ser sentida e muito bem vivida.

Hoje
Ciente de que tenho
Um dia a menos em jornada terrena
E de que não sei quantos outonos me restam
Com a certeza de que o amanhã, tão incerto
Já se prenuncia
Tenho em minhas mãos
Minhas  atitudes - no agora.
Então,
Escancaro portas janelas coração
Para deixar entrar
O mais novo presente
Dádiva tão esperada.

Hoje
Agradeço
Retribuo o afago vindo do Alto
Faço da vida - doce ilusão
Significância maior
E, entre a gangorra da tristeza e da  alegria,
Apenas decido materializar o desejo
De esgotar nesta vida
Tudo o que vem a mim por direito – ou quem sabe e por que não?-
Por merecimento.
Pois, que assim seja!
Valeu, Deus do Impossível
Que hoje me revela

O muito além do Possível!

segunda-feira, 21 de março de 2016

DESABAFO (IM)PERTINENTE


Diante de tudo o que tenho visto nas redes sociais e, cada vez mais me surpreendendo com o ser humano, venho fazer das palavras Pasquale Cipro Neto  minhas palavras- aqui apenas com uma ressalva ao termo Imbecis (Umberto Eco), a que interpreto como alienados ou limitados a se expandirem em novos horizontes.

Como professora apaixonada- temporariamente aposentada- pela sala de aula, porém desencantada com os bastidores;como  uma cidadã  entristecida e indignada não só com o PT, mas com toda a lama que hoje atravanca a evolução do meu país; como uma mulher em transição com a tal terceira idade; como uma brasileira que se recusa a sair do meio acadêmico; como alguém que, permanentemente, se recusa a ser manipulada por essa mídia que -enfática e sistematicamente- induz a massa a se comportar como rebanho; como alguém que hoje não pertence a nenhum Partido  ou Religião; como uma brasileira que trabalhou incansavelmente durante 35 anos e emancipada desde os 15, professando em atitudes (não somente na paixão pela profissão) a vontade imensa de ajudar o país conduzindo, incentivando e promovendo em sala de aula e fora dela, alunos em cidadãos pensantes e atuantes; como mãe que exaustiva e permanentemente se dedicou a forjar o caráter de seu filho e como uma brasileira-cosmopolense que teve o privilégio de conviver com  pessoas que primaram não só pela educação formal como brilhantemente me passaram valores imensuráveis, venho nesse tênue e questionável espaço, registrar meu repúdio diante do conteúdo de certos textos e áudios que se espalham freneticamente pela rede, pela falta de compreensão ou compreensão à revelia dos fatos, pelas palavras grotescas e deselegantes dos julgadores, dos Pilatos, dos oportunistas de plantão,  da supremacia da Alienação sobre a intenção de procurar saber mais e mais sobre todas as “afirmações” e “constatações” possíveis, além do óbvio e inquestionável, (das verdades absolutas e eternas), dos que rotulam, dos que escarnecem, dos que disparam  palavrões como mísseis etc etc etc.

Aqui fica o desabafo de uma apaixonada pela leitura – e pelo contexto a que ela se insere-, de alguém que “escarafuncha” , curiosa e atenta aos sentidos das palavras, tentando entender todos os lados a tal “Verdade Absoluta”.
Aqui fala alguém que busca entender além do óbvio.
Aqui ficam questionamentos no ar passíveis realmente de serem, no mínimo, surreais: Intervenção Militar? Impeachment? Golpe? Bolsonaro, Aécio, Feliciano no Poder? Moro, um herói a ser idolatrado, em Pátria esfacelada? Somente o Lula e o PT são culpados por tooodaaaaa a corrupção que  assola há muito tempo  nosso país? Dilma, independente da falta de aptidão em governar e com suas atitudes pra lá de questionáveis merece, como mulher, receber as grotescas palavras que se espalham desvairadamente por todos os lados?

Recorro a esse espaço, onde tenho poucos amigos, para dizer que sinto muitíssimo em ter que presenciar de certas pessoas por quem tenho profunda e imensa admiração, comentários tão duvidosos e palavras tão afiadas no julgar ao próximo, seja quem for esse próximo. Pensar o que se pensa é uma coisa, falar e registrar enfaticamente com palavras chulas é desrespeito por demais. Imagino a Educação que vem de casa, imagino alunos e filhos induzidos por essa postura. Como professar um mundo melhor, uma Educação de qualidade ao constatar que a tal cidadania (e democracia) se valha disso: ódio, escárnio, intolerância? Somos todos santos, donos da verdade? Que poder nos é atribuído ao julgarmos o tempo todo e expressarmos a indignação dessa forma?

Sou brasileira com muito orgulho e farei meu voto valer sempre- incansavelmente, na minha modesta e genuína vontade- na esperança de ver o meu país sair das trevas. Os ensinamentos que tivemos em casa extrapolaram os bancos escolares e diplomas. Independente de qualquer ideologia, de um partido, de uma religião somos, sim, modelos para nossos filhos, alunos e amigos com Atitudes, no mínimo, coerentes e/ou admiráveis para reverter a situação- como nossos ídolos um dia nos passaram- retribuindo toda a nossa indignação  e  revolta contra a corrupção não somente no Governo mas contra aquele famoso “jeitinho brasileiro” que, infelizmente, todos sabemos, sim, ainda impera neste país e para o qual muitos ainda recorrem, sem subterfúgios, sem nenhuma timidez, sem qualquer parcimônia ou juízo de valor.

“Há muitas maneiras para se afirmar. Uma só para negar.”

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/03/1750845-somos-todos-imbecis.shtml



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

ROLLING STONES


YESSSSSS, YOU CAAAAAAN!!!!

Pois então, o que dizer desse menino septuagenário nascido Michael Philip Jagger, Sir Mick Jagger?
Esse meu  muso  esquálido, leonino com lua em Gêmeos –ah, que demais!- sempre me inspirou, me arrebatou além Terra, com sua performance  estonteante , incandescente, vibrante, delirante -e todos os “antes”  que transmutam o “velho” , o “feio”, o “descabido para a idade” em VITALIDADE, que traduzem a “terceira idade” (ah, esses rótulos rs) em VITAL   IDADE!
Esse jovem senhor cala os rótulos negativos sobre o “envelhecer” em todos os sentidos. Esse menino transcende a passagem do tempo. E vem com o recado: “ a idade está dentro da gente”. Aqui acrescento: a idade tem a ver com a alma da gente. A idade não é o físico. É a qualidade da alma e  do que  se faz com ela!
Mick e sua boca; Mick e sua língua; Mick e sua voz; Mick e suas músicas...Relação intrínseca essa de fã x ídolo...superam-se explicações.
Mick e sua banda...dinossauros que surpreendem sempre, que ressuscitam lembranças deliciosas sempre. Estão aí para provarem que o que é bom é pra sempre.
E também pra dizerem  que podemos ressuscitar, sim, o Gigante Adormecido-  imerso, hoje, em águas turvas e turbulentas!
ROLLING STONES  se apresenta em nosso país, nesse momento tão caótico, não à toa. Os setentões vêm  pra dizer para o Brasil em efêmera e retumbante passagem, com toda a energia, com todo vigor: SIM, VOCÊ PODE!
É profetizar, (podemos sim!) tirando o ‘not ‘ de uma das canções mais “espirituais”  de Jagger e Richards- You Can't Always Get What You Want-nem que for por um momento, pra deixar o sonho se concretizar. Claro, de preferência, acompanhada do Coral!
E, para o meu jovem filho Michel, de frente pro palco, extasiado, fascinado, enlevado pela performance de ontem no Morumbi com essa lendária Banda, a melhor de todos os tempos, apenas digo:
Que bom que pude dar a você, filho querido, opções variadas do bom ouvir, do bem sentir e do bem desfrutar a vida da melhor maneira.Você  bem sabe que a nossa essência romântica pende pra Beatles, mas o espírito sempre será Rolling Stones. O eterno e bom embate entre a essência e sua morada; entre a alma serena e o espírito inquietante pra sempre podermos voar sem freios, absolutamente libertos  porém sempre inquietos, mergulhando em novas e enriquecedoras  experiências.
Ver você  feliz e sabendo viver a vida com leveza me faz sempre crer que tem valido a pena a caminhada. E afugenta qualquer temor em relação à passagem do tempo e as tais contingências da vida!
Ver e ouvir Rolling Stones é não só despertar sempre para novas e deliciosas sensações. É também romper com o velho, com o ultrapassado, com o preconceito, com certas convenções e todo tipo de apego.
Ufa!!!!
Nossa história sempre foi pautada  e embalada pela (boa)música.
Como diria seu avô, só existem dois tipos de música: a boa e a ruim!
Acho que você tem bom-gosto.

E que  tem sabido – sabiamente – viver a vida e dela tem tirado o melhor!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

“Ela mora no mar, ela brinca na areia, no balanço das ondas a paz ela semeia”...Salve Yemanjá!



Foi em um final de ano à beira-mar...
Nunca fui dada a rituais específicos nessas ocasiões, mas  naquele 31 de dezembro de 1988, entre amigos e diante daquele mar deslumbrante refletindo um luar surreal,  resolvi  embarcar na onda daqueles meus amigos  e jogar rosas ao suntuoso e imenso mar azul  prateado. E, diante daquela imensidão de águas,  tive um papinho franco com a Rainha do Mar, papo reto do tipo “tá faltando algo pra dar um sentido maior em minha vida”.
Meses depois, chegou meu menino lindo, embalado tantas vezes pela  linda melodia abaixo.
O luar sorrindo- cúmplice - e o mar – lendário, misterioso, fascinante, companheiro de todas as horas - estiveram por perto, assessorando aqueles interessantes e lindos  momentos que se seguiram.
E essa música foi muito bem “sentida” e “dançada” por muito tempo.
Em noite de lua cheia ouço a sereia a cantar e tudo em mim se faz serenar...e tudo em mim se cala nas coisas muito bem-vividas.

E  tudo em mim se transmuta em vasto oceano que me fascina, que me inspira, que me energiza.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

EU X ELE = SENTIDO MAIOR


Lá estava ele: encorpado, dourado, no seu frescor, na sua delícia de ser e de sentir... Lá estava ele, soberano da situação, magnetizando-me por completo. Me pondo à prova, me testando de forma irresistível. Fazia tempo que não nos víamos. Fazia tempo, muito tempo que vinha eu resistindo a ele. Estávamos, na verdade, de relações cortadas. Mas vez ou outra, a saudade dele vinha me visitar - a mim e ao meu corpo.
Lá estava ele em seu frescor, só para mim...sedutor, imponente, senhor das sensações deliciosas e de sentimentos tão contraditórios.

Minhas pupilas se dilataram. Minhas sensações gustativas se alteraram ...Quis desviar a atenção para o mar, para o luar, para a cama confortável com o bendito lençol egípcio – mimo oportuno. Quis relutar veementemente, distraindo-me com leituras, ouvindo Mozart, vendo Tarantino rsrs. Tentei tirá-lo do foco e sair dançando loucamente , mas ele estava ali a minha espera, com aquela sua linda e instigante presença, como a me hipnotizar, como sempre!
Pensei em sair de fininho – quem sabe dar uma volta com meu Anjo de quatro patas?
Pensei em beber algo flûte...mas a presença dele me impelia para um abismo maior. Seria ele um abismo do bem? Talvez depois me arrependesse daquele ato desvairado, impulsivo, de total nonsense - fui conjecturando por alguns momentos infindáveis. A espera e a dúvida foram se dissipando, à medida que já se prenunciava o prazer que ele- naquela madrugada insólita- me proporcionaria.

O avançar dos anos nos permite certas estripulias, mas quando se trata de um bem-estar maior ou um certo cuidado com a saúde, uma certa moderação é sempre muito bem-vinda e, para o momento, poderia sinalizar um mínimo de sensatez.
Eu poderia evitar tal situação. “Eu tenho a força, eu posso, eu consigo, eu sou mais eu”!
Tudo em vão. O chamado interno foi voraz...fatal!
E lá estava ele, instigador, se oferecendo todo pra mim e deixando-me à mercê dos desejos, dos prazeres “da carne”.

O pudim de leite com furinhos me seduziu “total”. O pudim me arrebatou. Ele venceu. Eu sabia que não seria só um pedaço, só uma parte dele. Eu sabia que eu o devoraria em poucas horas. Eu sabia que junto dele (a tal sensação de “comfort food” – oh, infância! - me pega vez ou outra) eu me faria enveredar para a saciedade de uma certa verdade. Posto que não foi a fome – vontade de se alimentar; tampouco foi a gula – fome pervertida- que vieram a se duelarem dentro de mim.
E eu lhes digo, caros amigos, fora apenas um estado de ânimo, de degustação momentânea, da experimentação (ou transferência) do desejo – delicioso e incontrolável - de um sentido maior naquela noite de lua louca...na noite de verão com cara de outono surdo.


Pois que venha a vida...com todos os seus sentidos maiores!

(...)
Passo-lhes aqui a minha receita do Pudim "com furinhos":

4 ovos
1 lata de leite condensado
2 medidas (da lata) de leite integral
3 colheres (de sopa) de açúcar
1 colher (de sopa) de amido de milho
Bater por uns 2 minutos até "espumar" bem

Derreter meia xícara de açúcar na forma até caramelizar.
Colocar em banho-maria em forno preaquecido.
Assar em forno médio -180 a 200 graus - por 50 minutos ou até dourar levemente.

Se quiser um pudim mais compacto,sem os " furinhos", não adicione o amido e bata rapidamente, sem "espumar" ou espere uns minutos antes de colocar o pudim na forma caramelizada.
O da foto foi feito com 2 receitas, todos os ingredientes em dobro.
Deleite-se!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Janis Joplin: Little Girl Blue...uma reverência


“Com esse vozeirão deve ter  algum parentesco com o  Little Richard. Só negão - devo aqui, hoje,  chamar de afrodescendente - tem esse agudo metálico na voz...como é o nome do cantor dessa banda?”
A “informação” não revelou o mistério, o “cara” chamava-se Janis Joplin.
“Como será que ele é? Cantando desse jeito, ele deve ter um visual muito louco! Você tem uma foto dele?  O quê? É um loiro cabeludo??? Como???”
“Pare de suspense e me diga logo...”(...)
“Não pode ser! Janis Joplin é mulher!?”

Imagens: Google

E foi assim, através do meu amigo-irmão-parceiro  Rodolfinho, na minha fértil adolescência, que tive o meu primeiro contato com ela, a minha musa de voz poderosa que cantava e se expressava com a alma, voz que preenchia inicialmente todo o quarto dele, depois  o meu quarto, todo o meu Universo particular, que se fazia ecoar  até o Morro Castanho, lá na Cidade Universo rsrsrs.

E a locomotiva Janis passa, então, a trilhar minha vida, leve feito borboleta para depois reconfirmar minhas suspeitas de que o mundo é dos que  sonham, que loucura pouca é bobagem, que o palco é mesmo o lugar perfeito para pessoas como ela exorcizarem todos os males.

O mundo ficou hipnotizado com suas aparições. Tudo tão espontâneo, não havia poses nem marcações, ela soltava a voz como uma leoa, dava chutes no ar e estrangulava o microfone feito uma guerreira hipnotizadora, deixando a todos em transe. De aparência frágil, ela era entorpecida pelo álcool e afins, tinha a pele esburacada, era uma chaminé ambulante – ela dizia que fumava daquele jeito para “lapidar” os graves da voz... sempre com óculos coloridos enormes cobrindo metade do rosto, lenços e boás esvoaçantes, cabelos às vezes de bruxa.

Quando veio ao Brasil , a Imprensa não deu a mínima...ela passeava pelas ruas e praias  sem ser reconhecida, adorou cachaça com groselha na companhia de Serguei-psicodélico roqueiro, hoje com oitenta e poucos anos e com quem – dizem -teve um caso. Ela era meio risonha, meio tímida, em entrevistas não tinha discursos prontos, parecia não se achar importante para maiores declarações.

E seguíamos -eu e Rodolfinho-, ouvindo-a em fases distintas e bastante oscilantes, cantando as músicas quando nos sentíamos tristes ou  quando estávamos felizes; quando estávamos pra baixo ou pra cima...Vez ou outra, arriscava eu uma performance  entre quatro paredes, sempre seguida dos olhares desse meu lindo amigo ora de incredulidade ora de timidez incontida ora de desaprovação. E, depois, ficávamos imaginando como seria conhecê-la...sabíamos muuuito dela, sabíamos que ela era capricorniana – nascida em 19 de janeiro -, do mesmo signo que o meu e, em cima disso, procuramos saber mais dos capricornianos,  acabando  por nos enveredar pela Astrologia em certos momentos. Sabíamos o significado de cada uma das canções, a correspondência de cada uma delas com momentos da vida dela, a visão que ela tinha sobre o mundo. Sabíamos muito sobre Janis...e a amávamos por demais!

Janis no Rio de Janeiro: Google

Eu fiquei com o “bolachão” dela que “roubartilhei” dele. Bem depois, um pouco antes de ele partir deste plano, deixei-lhe um livro (biografia) dela...em nosso último encontro, ambos com olhos marejados, ambos em silêncio. Ambos de mãos entrelaçadas, sem mais palavras, apenas a sensação de um certo pertencimento.  Em outra mão, ele afagava o livro. Foi assim a nossa despedida.

Ficaram as lindas lembranças de uma época em que tudo parecia grandioso demais para se expressar em palavras. A música era o nosso canal de comunicação muito maior, a linguagem íntima de almas que se reconhecem afins. 

E Janis Joplin, a nossa musa inspiradora, a nossa Little Girl  Blue era a nossa “companheira”- cúmplice dos nossos altos papos, do nosso idealismo, de nossa "ideologia".



domingo, 17 de janeiro de 2016

Pela Porta dos Fundos até o Paraíso?


A sensação é sempre de estranhamento.
Depois o baque.
Depois o questionamento e alguns dias cinzentos,
“Turbulentamente” tristes e aparentemente infindáveis.

Aí vem (nem sempre rápida e tão acessível  ao nosso entendimento!)  a suposta resposta
E, com ela, a tal bonança.
Então, nós nos apercebemos do “certo propósito” do Divino
Mesmo que tenhamos que passar antes “pela porta dos fundos”
Para chegarmos à entrada principal (triunfal)!
Mesmo que tenhamos que ser grotescamente pisados
Por pessoas com as quais tínhamos estreitas ligações
E repisados (por elas!)  no corpo na alma no coração  e também no ego-intruso forasteiro
Mesmo que a "humilhação" a nós imposta  por  tal “pessoa  ingrata" (aos nossos olhos)
-Que tudo interpreta a seu bel prazer-
Chegue inesperada.
Mesmo que venha o  julgamento alheio –“ do alienado”
Mesmo que lhe atirem pedras ou lancem seu nome à lama
Mesmo que as palavras propositadamente distorcidas  ressoem sem medidas
Empanando a “Verdade” ou  os “reais” sentimentos
Tenhamos em mente que:
Tudo tem que  ser ou acontecer  para que aprendamos “a lição de casa”.
Tudo faz parte da nossa “evolução” nesta existência tão efêmera!
Nem que tenha que o ser pela tal porta dos fundos...
Nem que tenha que o ser em forma de tsunami
Para que se acorde, para que se reconheça o tal “livramento”
Daquilo que não se consegue enxergar
Se não no amor que seja então na dor – sempre tão mais latente!

E essa tal  dor que um dia nos faz sangrar
É a mesma que nos  fortalece
É  a que estanca coisas e pessoas “ incertas”(ou certas?).
Nesta  nossa tão transitória jornada!

Não há os “mortalmente feridos” nem os “humilhados”.
Pois
Onde reside a cegueira espiritual
E enquanto a ignorância -ou alienação-imperar
Nessa morada o conhecimento não se estabelecerá!
Imperarão apenas falsos julgamentos sobre a “própria dor” e a “dor alheia”
(Também sobre as "delícias de sermos o que somos"!)
E, portanto, não haverá  libertação
Tampouco evolução.

Quando  a ingratidão prevalece
Nada de novo e bom acontece.
Enquanto  deixarmos velhos ultrapassados e indesejáveis pensamentos (e sentimentos!)
Nos  nortearem
Não daremos nunca espaço para o Novo se instaurar
Em nós
Em nossas vidas!

(...)
E ,entre  variadas citações que podem ser elucidativas em certos momentos
Convém sempre lembrar que:
"Quem semeia vento, colhe tempestade".Provérbios-22
"Ninguém pode oferecer aquilo que não tem". Lucas-6.45
“Cada criatura é um rascunho a ser retocado sem cessar.” Guimarães Rosa
“Viver é uma questão de rasgar-se e remendar-se.” Guimarães Rosa
 "Os cães ladram e a caravana passa”.Provérbio árabe 
"E se valeu a pena?Tudo vale a pena se a alma não é pequena”F.Pessoa
"O homem é o que é o seu coração" – Provérbios: 27.19
 "Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos    pensamentos, fazemos o nosso mundo- Buda
 'O pensamento é o ensaio da ação. - Sigmund Freud

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

ADEUS, ZIGGY STARDUST!



Acordar em  uma segunda-feira chuvosa com a notícia da partida do meu Ziggy Stardust foi dolorido demais...
O mundo seguirá –com certeza- sem David Bowie, mas com nuances diferentes, muito diferentes.
David Bowie habitou em  minhas fantasias de pré-adolescência e perpetuou em minha vida adulta, durante muitos momentos lindos celebrados ao som de suas canções e embalados por suas performáticas atuações.

Lembro-me de presenciar frente a um televisor  em preto e branco a chegada do homem à Lua, lembro-me logo depois ouvindo Space Oddity, lembro-me da minha infância lúdica na casinha de brinquedos, no fundo do quintal na casa do meu vô Honorato, em Cosmópolis, na década de 70 e, logo depois, me extasiando com os “bolachões”  de capas “surreais” da minha prima Soraya, com as músicas Fame, Golden Years , Heroes, Boys Keep Swing, daquele moço lindo que me confundia,  me deliciava e me extasiava entre  imagens e sons , com voz deliciosa, que me fazia viajar por outras galáxias, por mundos desconhecidos, que me fazia sonhar- e também a todos a seu redor.

Minha mente hoje retrocede a um passado lindo...perpassa por minha gravidez, dançando em frente ao espelho com “Dancing in the Street” , (Bowie and Jagger), Starman ( e depois, em outra versão – O Astronauta de Mármore- com Nenhum de Nós)  e segue por  luares cheios...de novo embalada por David, enlevada pelas  fantasias, pelas cores, pelas adversas performances, pela presença “ camaleoa” de David...

Acordo, hoje, onze de janeiro de 2016, com David ...artista inigualável que soube a que veio ;  que soube a hora de chegar, a hora de partir...estrela de inconfundível  grandeza  que nunca deixará de brilhar em minha memória, em meu coração, em tempos pra sempre lindos, de fúlgidas cores!

David Bowie partiu em silêncio, mas deixa seu rastro retumbante no Planeta, ressoando intergalaticamente ...para sempre!

 http://blitz.sapo.pt/principal/update/as-20-melhores-cancoes-de-david-bowie-playlist-blitz-com-videos=f85529

http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2012/06/05/nos-40-anos-do-classico-de-bowie-lider-do-nenhum-de-nos-explica-versao-de-starman.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Bowie

http://matias.blogosfera.uol.com.br/2016/01/11/nao-da-para-imaginar-um-mundo-sem-david-bowie/



sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

As diferenças completamente lógicas entre gostar, estar apaixonado e amar

Gostar é muito relativo

Gostar de alguém é sentir um frio na barriga, mas manter os pés no chão. Gostar é querer estar junto, mas sem descartar outras oportunidades. Gostar é beijar, mas de vez em quando, abrir os olhos discretamente para conferir o ambiente. Gostar é abraçar forte, mas não por muito tempo. Gostar é dedicar-se, mas com limites impostos. Gostar é querer ter, mas não ser teu. Gostar é querer dormir junto, mas acordar cedo no dia seguinte para outros compromissos.
Gostar é admirar as qualidades, mas ainda reparar nos poucos ou pequenos defeitos. Gostar é andar de mãos dadas, mas não sentir segurança. Gostar é dividir o chocolate preferido, mas ainda assim, ficar com a maior parte.
Gostar é passar o domingo juntos, mas fazer planos mirabolantes na segunda-feira. Gostar é tirar do sério, mas com a finalidade de testar o ponto fraco do outro. Gostar é frequentar a casa do outro, mas com o status de estarem a conhecer-se. Gostar é fazer planos, mas não ultrapassar mais de três dias. Gostar é viajar, mas sentir saudade do que ainda não acabou.
Gostar de alguém é como ter o jogo ganho, mas faltar uma carta. O verbo gostar traz consigo muitas incertezas e, ao mesmo tempo, muitas descobertas. Gostar de alguém é um risco do desconhecido.

Estar apaixonado é estar louco

Depois de conhecer um pouco esse alguém, as atitudes e as vontades acabam por ficar completamente incontroláveis. A paixão é um sentimento que descontrola qualquer racionalidade. As emoções explícitas são a principal marca dessa sensação.
Apaixonar-se por alguém é sinônimo de entrega absoluta. Os erros tornam-se acertos, o longe torna-se perto, o tarde torna-se cedo, a noite torna-se dia, a pobreza torna-se riqueza, o frio torna-se calor, o ruim torna-se bom, a fome torna-se saudade, o sono torna-se pensamentos.
Apaixonar-se por alguém é perder-se, ou encontrar-se por alguém.
Apaixonar-se é sentir o sangue a correr nas veias …
Apaixonar-se é tirar a roupa sem pensar duas vezes. Apaixonar-se é aproveitar todos os momentos, e em cada brecha, encontrar uma chance para satisfazer os desejos. Apaixonar-se é agir por impulso e depois arcar com as consequências, boas ou ruins. Apaixonar-se é sentir uma atração incontrolável, é deixar a vontade carnal sobressair ao teu juízo. Apaixonar-se é suar, tremer, gritar, gemer, arranhar, morder.
Apaixonar-se é ficar cego. E só depois de incendiar todas as labaredas, tentar acalmar-se e fazer de tudo para manter todas as chamas acesas.

Amar é ter todas as certezas de uma só vez

Amar alguém é viver o presente, absorver o melhor do passado e planejar o futuro. Amar alguém é transformar os sonhos em realidade. Amar alguém é cuidar, zelar e proteger. Amar alguém é não ter dúvidas. Amar alguém é transformar uma briga num ensinamento. Amar alguém é criar laços, ter filhos, envelhecer lado a lado. Amar alguém é resistir a todas as tentações, desavenças, crises, ciúmes, egoísmo. Amar alguém é surpreender, é presentear. Amar alguém é deixar claro o quanto essa pessoa é essencial, é dizer o quanto tudo mudou desde que ela se fez notável, é não ter vergonha de demonstrar qualquer afeto.
Amar alguém é libertar-se, partilhar e somar. Amar alguém é oferecermos toda a nossa bagagem de experiências, para conhecer e compreender o outro. Amar alguém é fazer essa pessoa feliz, proporcionar noites de sono tranquilas, é suprir todas as necessidades. Amar alguém é estender as mãos, apoiar, contrariar, mas nunca abandonar.
Amar alguém é trabalhar a paciência. É ressaltar a persistência e provar toda a tua determinação. Amar alguém não é um sacrifício, é sentir-se leve. Amar alguém não é prender-se, é ter muitas opções e ainda assim, escolher ficar.
Amar alguém é abrir mão do teu amor. Amar alguém, às vezes, pode ser a tua pior dor. Amar alguém é uma ferida que nunca vai cicatrizar ou deixar de existir. Amar alguém é carregar consigo a pessoa por onde quer que você esteja. Amar alguém é, em alguns casos, uma renúncia. Amar alguém é querer esquecer e não conseguir. Amar alguém é decisão do teu coração e não uma opção indicada pelo teu dedo. Amar alguém não é responsabilidade do cupido, é a sentença que precisa ser cumprida. Amar alguém é confiar, transmitir segurança e não medir esforços.
Amar alguém é deixar a pessoa partir, e ainda assim, fazer de tudo para ela voltar. Amar alguém é sofrer calado ao ver que esse amor não é mais teu. Amar alguém é ser repetitivo, tanto nas lágrimas que insistem em escorrer, quanto nos assuntos recorrentes. Amar alguém é perdoar e ceder.
Amar é precisar desistir, é perder todas as forças, mas apesar disso continuar a insistir.
Em todos os casos mencionados acima, eu não prometo um final feliz. Afinal, os sentimentos são como o mar: seduzem e depois podem afogar. De qualquer forma, a regra é clara: o que me oferecerem, eu ofereço três vezes mais.

(Source: Jessica Pellegrini)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Sobre uma época em Cosmópolis




As ruas não eram enfeitadas em finais de ano, por ocasião do Natal, no início dos anos 60. As casas mantinham as luzinhas acesas tipo pisca-pisca, um pinheirinho iluminado, uma bota de Papai Noel na porta de casa, uma guirlanda simples, com algumas pinhas, bolas vermelhas. Algumas delas tinham lindos presépios que a todos encantavam....e dezembro não tinha esse calor escaldante.

As pessoas improvisavam algum outro enfeite com aviamentos comprados na lojinha da D. Malvina, na rua Campinas ou na loja do Tita, na avenida Ester, em um tempo em que não havia lojas de $1,99.
A missa do Galo era um ritual imperdível. Depois seguíamos pra minha avó Dinorah. Marcaram os presentes da Estrela, da loja de brinquedos da minha madrinha Tia Terezinha, a alegria das ceias, a reunião com todos os parentes, a comilança à mesa sempre farta, diante da qual adultos não discutiam sobre negócios, dietas, crises, fatalidades nem deixavam transparecer pra nós quaisquer resquícios de tristeza, saudade, aborrecimento...nas nossas festas, principalmente nessas ocasiões, tinham canções da jovem-guarda à bossa-nova, trilha sonora vinda da vitrola, comandada pelo tio José Honorato que após os “embalos”, contava-nos longas histórias, fazendo-nos "viajar" através delas, abrindo as janelas de nossa imaginação, povoando nossos sonhos no sono que vinha sereno, reconfortante.

Amanhecíamos com o leite deixado pelo leiteiro à porta de nossas casas, que vinha em uma carroça sacolejante...
Nossos ídolos não morriam tão jovens...nossos heróis estavam vivos, presentes, atuantes, sábios. E nos passavam segurança emocional, amor incondicional, estabilidade e...limites!
Naquela época não se falava tanto quanto hoje em Jesus, nem havia proliferação de religiões, templos, igrejas... Mas sabíamos no nosso dia a dia o sentido da fé, do amor, da paz, da solidariedade, da compaixão que tanto Ele pregou um dia.

Crianças não podiam escutar conversa de adulto, crianças entendiam o olhar de censura dos pais e em questão de segundos e, sem a necessidade de palavras, se “aprumavam”...crianças não podiam tudo, crianças seguiam os “ códigos” do bom comportamento, crianças eram ...crianças.
Os mais velhos eram extremamente valorizados e tinham privilégios do tipo escolherem a melhor parte de qualquer assado da ceia... Os mais velhos não se embebedavam na nossa frente nem discutiam seus relacionamentos nem relacionamentos alheios.

Alguém sempre fazia uma oração ao menino Jesus na ceia de Natal e um agradecimento ao Papai do Céu pela fartura, saúde e dinheiro no bolso pelo ano que findava e para o que se iniciava, não sem antes passarmos pelas romãs e lentilhas, claro! E todos entoavam "Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo" a plenos pulmões, vendo o sol raiar cheios de esperança e alegria - sem grandes bebedeiras, sem grandes tumultos, tragédias ou violência - , junto a lindos fogos coloridos adquiridos com a saudosa e inesquecível D. Mercedes Miguéis.
Nessa cidadezinha todos se conheciam, todos se queriam muito bem, todos se “misturavam” alegremente, todos eram amigos ... o ar que circundava a cidade era mágico. Pessoas se cumprimentavam umas as outras indistinta e respeitosamente e longas conversas se estendiam nas casas, nas calçadas, nas ruas, nas esquinas, nos bares, nas praças da Matriz e do Coreto, na sorveteria, no clube. Não havia pressa, o progresso caminhava a passos lentos, a palavra estresse não constava nos dicionários ainda, ela não existia para aquelas pessoas.

Não se discutia o “ser ou ter”. Apenas se vivia - e muito bem vivida - uma vida tangida por acordes harmoniosos que só uma cidadezinha pacata e totalmente do bem tem.
A avenida principal ainda era de terra no auge dos meus seis anos - as luzes dos postes eram alaranjadas- e, nessa avenida, passeávamos com nossos pais, principalmente nos finais de semana, quando tomávamos sorvete de groselha no Bar Ideal, comprávamos doces de coração no bar do Banjo ou passávamos no restaurante do Arnaldo pra tomar Sodinha e comer carne no palito( contrafilé na chapa). Havia uma parada na farmácia do Sr. Jacinto e D. Chiquinha, logo após na loja de armarinhos da família da D. Onélia Kalil e uma última já na rua Campinas, no armazém do Sr. Lourenço Trevenzolli para uma boa conversa. Sem contar as “paradas” com o Sr. Vicente Morelli e Sr. Armando Mora(ambos sapateiros), com o João, o Pedro Bratifich e o Pirtas (ambos açougueiros), Dona Tonica, Hermínio Campos, Toninho Conservani, Emílio Balloni, Massud, Carlito Botcher, Amadeu Grassi, Guido Longuin, Constantino Coutsoukos, Cabo Cruz, Vô Nato e por aí vai...e haja histórias! quaaantas guardo comigo!

Os homens bem mais velhos usavam chapéu, as mulheres rouge. Lá, os ladrões eram quixotescos (êta Silas!) e os jovens pareciam ser ainda mais sonhadores e idealistas.
Minha cidade tinha espírito natalino todos os dias, minha cidade era um salpicar de cores, de cheiros, de sabores e de pessoas adoráveis, tipos realmente inesquecíveis!
(...)
Hoje, Cosmópolis não é apenas um quadro estático pendurado na parede de casa, nem só mais uma foto no Facebook. A imagem dela está cravada em meu peito, em minhas retinas.

Minha cidade é o meu “Cosmos”... minha memória, minhas raízes, minhas lembranças, minha consciência: de onde vim, quem sou, para onde irei.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ESTRELA CADENTE




Procuro vc no verde no azul nas cores
Do verão.
Ouço vc me chamando em paragem distante
De mim.
Sua presença é latente
E exala o seu calor             
De amor.
Olho pros lados na vã tentativa
De encontrá-lo.

O chafariz de casa tá seco
Minha boca meus olhos também.
O jardim dá sinais de total abandono
O sofá da sala imprimiu vc
Teu cheiro impregnou a casa
Os lençóis
A cama.
Tudo aqui lembra  vc.   
                                                                    
Olho pra todos os lados
E vem a sua risada
Suas palavras na calada noite.                                      
O nosso banco na praça
Está sempre vazio
A nossa música não toca mais
No coreto
Nem nas rádios.

Olho pro céu
Ali no firmamento deparo-me com uma estrela cadente
Faço um pedido
Sinto coração e corpo estremecerem de alegria
Nossas almas se reconhecem a distância!
Então, ali no cair da madrugada
No vazio do silêncio abstrato
De uma ausência sentida
Tenho resposta.

Sei que  um dia
Nos  encontraremos
E juntos olharemos pra cima.
Então veremos estrelas cadentes
Prenunciando um novo tempo.
Lá do alto virá a resposta.

E em noite estrelada e abismal
Entrelaçados, ouviremos  ressoando
Em nossos corações
A antiga canção em  nova roupagem
Dizendo
“Que ainda é meu o seu amor”!


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O AMOR EM TEMPOS DE INTERNET



Ela procurava um arquivo no Pc de cujo nome não se lembrava de como salvara,  com o objetivo de complementar um trabalho de pesquisa.
Clicou em uma palavra-chave na possibilidade de abri-lo. Apareceram vários arquivos  com o mesmo nome. Ela escolheu aleatoriamente um deles e eis que surge um “fatídico”, contendo uma conversa que a fez quase perder o fôlego. Era um bate-papo do parceiro dEla com outra. Aprendera, desde sempre, a não abrir correspondências nem se apropriar de nada que não fosse seu, que não lhe  dissesse respeito. Mas algo mais forte, que não sabia definir,  a impelira a continuar e a continuar lendo.

E ali, na tela, confrontou-se com muitos diálogos; foram muitas conversas com várias outras mulheres. Não eram conversas apimentadas, eram conversas românticas, com  uma  certa profundidade, entusiasmantes, lindas, algumas com certa pieguice, até ridículas – “cartas de amor são ridículas. Não seriam de amor se não  fossem ridículas”, diria o heterônimo Álvaro de Campos, de Pessoa -pensava agora.   A vista se turvara, à medida que se concentrava na leitura.
Estava com Ele há três anos. Eles tinham, aparentemente, tudo a ver um com o outro. Ele era companheiro, parceiro em tudo que  faziam, romântico, apaixonado, sempre se esmerando em cuidados e carinhos com Ela. Ela vinha de um relacionamento conturbado, achava que já não seria mais capaz de amar alguém. Havia deixado claro isso quando  Ele, entusiasmado, aproximara-se dEla.

Tanto Ela quanto Ele  prezavam a liberdade, simpatizavam com a possibilidade de um relacionamento aberto, jogavam limpo um com o outro, conversavam horas sobre tudo, tinham trajetória de vida bastante parecidas. Ambos tinham em  torno de quarenta anos,  vinham de relacionamentos que não haviam dado certo. Ambos com filhos. Ambos dispostos a recomeçarem,  com projetos e sonhos parecidos. Ambos com a mesma sintonia em tudo. E  tinham a bendita afinidade de pele, de cheiro. Ele parecia mais apaixonado que Ela, embora Ela já se   sentia  pertencida a Ele, que soube conquistá-la com o tempo, com toda a paciência e  carinho do mundo.
Tinham Faces  separados, a pedido dela que priorizava a individualidade, ao que Ele rebatia, insistindo até em lhe passar o seu Login, o que Ela  sempre rejeitara . Ela levantava a bandeira da liberdade sempre!

E agora Ela ali, paralisada, vista turva, corpo mole, aperto no coração.  Não conseguia sair de frente da tela, não tinha forças para isso..”.O que os olhos não “leem” o coração não sente...saia daqui enquanto há tempo”...a vozinha sábia da intuição gritava-lhe incessantemente.
E quanto mais lia, mais queria  ler...Então algo estaria errado. Eles não estavam bem. No fundo talvez soubesse que Ele a percebera sempre  menos disponível nos sentimentos  para com Ele. Pelo horário das conversas dEle, pelo comportamento dela naquele momento, pelos sentimentos confusos agora, tudo poderia  denunciar  falhas nesse relacionamento, aparentemente estável, com uma certa cumplicidade gostosa. Não, Ela não se sentiria culpada, sentimento tão comum entre as mulheres em uma situação dessas.  Mas Ela não era esse tipo de mulher. Não meeesmo. Era moderna,  arrojada,”cabeça” demais pra essas  frivolidades, pras essas trapaças (artimanhas!)  do coração.
IMAGENS GOOGLE

Quando deu por si, percebera que aquilo já havia lhe consumido. Enveredara-se para o precipício. Esta era a verdade.
Foram horas, dias vasculhando as conversas  e, à medida que Ele a olhava dizendo o quanto a amava, estranhando a mudança súbita dEla para com Ele,  Ela o rebatia, já um tanto descompensada, tentando uma possível resposta para aquilo tudo, ironizando-o, instigando-o a falar sobre  aquele comportamento, corroída por sentimentos torpes, dignos de uma análise Machadiana. Não poderia lhe dizer sobre esse seu deslize de vasculhar a privacidade alheia. Torturava-se por isso, não era da sua personalidade ser assim, invasiva, nunca! Não havia culpados. Não haveria cobranças. Mas nada poderia ser como antes. Ela já não o enxergava como outrora. A admiração que nutria por Ele tinha ido para o ralo.

Antes fossem conversas apimentadas - seria normal para Ela se tivessem esse teor...homens são  vulneráveis a isso – pensava agora, mais atormentada do que nunca. Não eram. E as personagens ali, naquelas conversas, eram de todos  os tipos, de longa data e recentes, paralelas a outras.  A todas as mulheres, Ele fazia  juras de amor, planejava  coisas em comum, inclusive filhos. Conversas cheias de comprometimento, correspondidas por todas elas, longas conversas em horários distintos, com  uma  certa intimidade comovente, envolvente, eloquente. A todas se dirigia com “Oi, meu amor!”, dentre tantos outros vocativos surpreendentemente românticos.

Começara a evitá-lo, após todas as tentativas de tirar dEle uma certa verdade. Sempre fora segura de si, sempre abominara esse tipo de relação, de comportamento que desequilibrava os parceiros, que confundia sentimentos, que aprisionava, sufocava.  Ambos eram pessoas esclarecidas, maduras, abertas...e por que isso agora? Por que Ele não se abriria sobre isso?
E por que Ele deveria se abrir? Qual seria o conceito desse suposto amor? Seria apenas ego ferido? Uma suposta tentativa de se apossar do outro? Ridículo. Muito ridículo tal sentimento.

Um dia desvencilhou-se da tormenta. Acordou,  olhando para Ele com grande docilidade. Tratou-o como antigamente.
Produziu-se  no estilo “vestida para matar”, como há muito não o fazia.  Dissera-lhe, sob o olhar deslumbrado, confuso  e inquisidor  dEle, que iria ao supermercado e já voltaria.
Passou a tarde com um lindo rapaz que sempre a rodeava, sempre “babando” por Ela, sempre a cercando de atenções e elogios. Chegou  a  casa horas depois, olhos brilhantes, cantarolando, feliz.
Sentia-se “ vingada”.
(...)

Mal sabiam Eles que estavam enganando a si mesmos, não sendo tão parceiros como pensavam, não sendo leais consigo mesmos, confundindo sentimentos, tão ausentes do diálogo, dos verdadeiros sentimentos, tão fragilizados um com o outro. Tão  solitários, tão desvinculados um do outro!